#1 Diário sobre o Peru – relatos para a pequena Lica

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Pouco antes de embarcar rumo ao Peru, minha sobrinha-afilhada por escolha do coração, Lica (Olivia), perguntou à mãe dela o que exatamente a “tia Pri” iria fazer no Peru. Essa garotinha de 8 anos – e de voz tão doce quanto sua imaginação – lançou, assim, uma ideia na cabeça de sua mãe: “Pri, por que você não escreve pra gente todo dia contando os encantos desse país?!”. Achei a ideia incrível. Nunca tinha escrito relatos de viagem sob um olhar infanto-juvenil. Assim, não só contei para a Lica dia por dia o que foi o Peru, como também passei a compartilhar com Sabrina, sua linda irmã de 14 anos, cada detalhe dessa história de 8 dias. Então, veio a ideia de publicar aqui, no Volto Pro Almoço, um diário de viagem especial. Linhas dedicadas às irmãs Lica e Sasá, aos amáveis irmãos Gabriel e Nina (cujo sonho do pai é retornar a Machu Picchu com os dois) e, claro, ao meu serelepe sobrinho João Pedro, o “Jotinha” (que um dia entenderá quem foi Indiana Jones). Todos eles representam aquelas crianças inteligentes, curiosas e cheias de vida que a gente fez questão de carregar para qualquer aventura pelo mundo.

O PRIMEIRO DIA EM LIMA
Quando eu tinha uns 8 anos, Lica, jamais imaginaria ir ao Peru. Já tinha recebido um ou outro convite para vir para cá, mas ainda era o sonho dos outros. Não o meu. Um dia, conhecer este país se tornou um dos meus grandes desejos de viagem e vou lhe explicar o porquê. Cada dia da nossa vida tem um motivo. Seja ir à escola e aprender tudo o que precisamos – e o que queremos -, seja simplesmente aproveitar cada segundo das coisas mais diferentes que há neste planeta. Tudo isso eu chamo de “aventura”. Hoje, conto a você, princesinha, o motivo do meu primeiro dia me aventurando em Lima.

Esta cidade é simples. Muitas das casas que se vê aqui são iguaizinhas às que têm em São Paulo ou até mesmo quando viaja para Salto, na casa dos seus avós. Só que, diferentemente daí, aqui muitas das casas aparentemente simples e desapercebidas em ruas calmas dividem muros com alguns dos melhores restaurantes do mundo! Hoje estive em um deles, o La Picantería.

Antes de chegar lá, conheci junto com a minha amiga, que me acompanha nesta viagem, o mercado Municipal, pois fica no caminho entre o nosso hotel e o restaurante. É bem parecido com o Mercado Modelo de Salvador, só que bem menor e menos organizado (acredite, se for considerar barulho, não sei quem ganha, se é o da flauta ou o do berimbau). Resumindo, é um galpão enorme, dividido em ruas pelas tendas de cereais, frutas, temperos e carnes.

Embora eu não goste de todos aqueles frangos pendurados, com moscas em volta, a parte das frutas é bem legal. Um monte delas nem ouvimos falar no Brasil. Também tem uns saquinhos recheados de milho gigante, que a gente come feito salgadinho. Os temperos pendurados nas prateleiras completam o show de cores que, às vezes abre o apetite e, às vezes… Bom, às vezes é melhor deixar pra lá e ignorar o que se vê em uma banca de mercado.

Continuamos o caminho e, finalmente, entramos no La Picantería. E que grande surpresa! É uma casa do tipo colonial, enorme e muito linda, toda restaurada. Dentro tem uma árvore grande, mas já seca. Por outro lado, está toda enfeitada com flores de papel e bandeirinhas, parecidas com as que a gente coloca nas Festas Juninas. Isso a torna única! Pode ter certeza que existe apenas uma árvore como essa no mundo.

Esse restaurante se propõe a vender comida fresca todos os dias. Para isso, os peixes e mariscos têm seus respectivos pesos e preços anotados em um quadro negro e são descontados e apagados assim que vendidos. Lembra que lhe contei do mercado? É como se o restaurante fosse o Palácio Real dos mercados. Tudo é muito limpo, arrumado e os peixes são colocados com todo respeito em buracos abertos em um enorme bloco de gelo sobre o balcão.

A ideia é comprar o peixe inteiro e escolher mais de uma forma como quer que o chef o prepare. Pedimos metade ceviche (o peixe cru picadinho, preparado no suco de limão e outros temperos) e metade frito, acompanhado de batatas. Com o que sobrou do peixe, eles preparam um delicioso caldo com vegetais muito frescos. Ou seja, não há desperdícios. Tudo do bichinho é aproveitado. O que posso chamar de um restaurante de “conceito sustentável”. A pesca aqui, inclusive, não é predatória. Eles garantem isso de seus fornecedores.

E vamos à sobremesa! Escolhemos um doce tipo pavê, com bolacha, creme e chocolate. O cafezinho, claro, encerrou este almoço de sabor tão mágico quanto aquela incrível árvore, que encheu de cor a nossa primeira experiência gastronômica em Lima.

Conforme tenho novidades, Lica, conto um pouquinho mais dessa viagem. Um beijo enorme!

Tia Pri