Lagoa Azul é um dos paraísos de Jericoacoara

A história de Jericoacoara não se limita a camarões. A vila pé na areia, literalmente, reserva um mar de águas quentes e praias e lagoas escondidas em cantos distantes. Para chegar a lugares como a Lagoa do Paraíso, Lagoa Azul, Lagoa do Coração, trechos de mangue preservado, Pedra Furada e a dunas mais divertidas e lindas do que as de Natal, você vai precisar de um buggy. Contratar un bugueiro é fácil, mas “o” bugueiro, nem tanto. Posso dizer que minhas amigas e eu demos sorte ao trombar com o Ary Paraíba.

Ele se descreve como um homem que nasceu para fazer as mulheres felizes. Apesar do comentário malicioso, ele realmente cumpre a meta de vida. Pode não conseguir nem um beijinho das turistas, mas arranca muitas risadas. A começar pelo “conversê” – ele não consegue ficar um minuto quieto. Cumprimenta quem passa, conta as peripécias que os gringos fazem, fala sobre a filha e até dá uma de corretor, tentando vender os terrenos que têm na Lagoa Azul. Os buggys não podem correr em Jeri, então, quando ele pergunta se quer emoção, ele liga o som.

E nada de Calcinha Preta, viu, é um excelente rap francês – em som bem alto por sinal. Ary ri, diz que não entende nada do que falam, mas que foi um presente de um amigo turista e que adora o som. Realmente, é muito bom, embala outro ritmo às areias de Jeri.

Embora tenha até a quarta série, o querido bugueiro é um daqueles caras que viraram referência na comunidade. Aos 40 anos, pode-se dizer que ele é um sábio, formado por uma vida não só de farras com mulheres. “Um dia fui para São Paulo. Ué, todo mundo falava que lá era o paraíso, que se ganhava bem. Eu tinha que conhecer, pelo menos para ter a minha opinião. Mas quando cheguei… O quê?! Paraíso é Jericoacoara, aqui que eu sou feliz de verdade.”

É, ele tem razão. Um pedacinho de mim ficou lá e nunca mais vai voltar. Está nas areias, no mar, no jeitinho de aldeia, no vento e por que não no nosso amigo Ary? Afinal, em comum, temos o amor por aquele lugar e pelo bolo de macaxeira. Experimentei um na Pousada Samba do Kite, perfeito. Ninguém me deu o segredo da receita, mas pesquisei e inventei até chegar a esta que publico aqui. Tem gosto de Jeri. Pode comer que você vai sentir o vento da Duna do Pôr do Sol batendo no rosto e, ao fundo, as risadas engraçadas do bugueiro bom de coração.

De lembrança guardei uma foto:
– Ary, pose para foto.
– Eita, essa é pro Facebook. Pra queimar o seu filme!
Não Ary, esta é para o meu blog.

O bugueiro Ary Paraíba

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