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Vó Zélia sem avental e em dia de gala

Quando aceitei o pedido da minha prima e também jornalista Giovana Sanchez de participar de seu blog que homenageia todos os avós do mundo, logo me lembrei das tardes chuvosas de Itupeva, no interior de São Paulo. Meus pais têm até hoje casa lá e foi o lugar onde passei a maior parte das minhas férias na infância e adolescência — além dos feriados e finais de semana.

Essas viagens sempre foram marcadas pela presença mais do que espirituosa da minha avó, que além de nadar com a gente (a fofa foi nadadora pelo Corinthians e se orgulha das braçadas que dava no Rio Tietê, que até então era limpo), escorregar o morro da casa sentada em papelão e jogar buraco como ninguém, fazia os bolinhos de chuva mais maravilhosos do mundo.

Aqui, reproduzo o meu texto publicado no fanstástico e doce blog “ah, vó!”.No post abaixo revelo a mágica receita. Sem fotos por um motivo nobre: nenhuma foto reproduzirá a imagem dos bolinhos que tenho na cabeça. E, se o seu bolinho também tiver anteninhas, vai saber do que eu estou falando.

Era só chover que vinha aquele cheirinho de açúcar e canela da cozinha. O perfume do bolinho voava pelo vento úmido, entrava na sala e me arrancava do sofá em segundos. Corria para a cozinha e lá estava ela de avental, tirando o bolinho do óleo e passando no pozinho da mistura.

Mas o mais legal dos bolinhos de chuva da minha vó é que eles nunca ficavam redondinhos. Cheios de anteninhas, toda vez minha nonna ralhava que eles mais pareciam extraterrestres. De boca cheia e língua queimada, eu ria dos palavrões “italianados”.

A rotina do bolinho de chuva só em dia de chuva era o que mais dava sabor a ele. Tanto é que nos meses de inverno quando, no máximo, garoava, eu podia espernear, mas o bolinho não saía. “Menina, bolinho de chuva só com chuva. Sem chuva a massa desanda”, ria. Como faço aniversário em julho, o jeito era apelar à data e pedir de presente. Funcionava.

Faz tempo que ela não frita uns para mim. Normalmente, quando chove, estou longe. Mesmo assim, o cheirinho de açúcar com canela sempre vem. No meu mundo, não são gotas d’água que caem das nuvens, são os bolinhos quentinhos e fofinhos da “bella” nonna Zélia.

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