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Um senhor apaixonado pela esposa, mas que nunca para em casa. O paradoxo da vida de Martin é fruto de um outro amor que lhe divide o peito, viajar. Este amigo que fiz em uma das minhas viagens à Alemanha é dono das histórias mais incríveis que já ouvi de um viajante. Passava horas escutando suas aventuras.

Martin ao fundo, enquanto eu olhava o Fusca de 1962 do museu da Volkswagen em Wolfsburg, na Alemanha

Hoje, guia turístico, Martin começou sua carreira jovem, entusiasmado por aviões. Ainda quando era apenas um aprendiz de pilotagem, Martin sofreu um acidente aéreo. Foi arremessado para fora do avião, que havia feito uma aterrissagem de emergência.

Embora tivesse a sorte de ser um dos dois sobreviventes, o meu amigo teve a visão prejudicada, o que o impediu de seguir a carreira de piloto. Não teve outro jeito, a única saída era se tornar comissário. Foi quando conheceu sua futura esposa, uma aeromoça cheia de sonhos.

Martin chefiou por anos equipes de bordo de empresas aéreas como Varig e Luftansa. Muito comunicativo e fluente em alemão – sua ascendência -, ele conseguia romper protocolos e ter conversas profundas com figuras históricas, como o Papa João Paulo II. Martin conta que foi graças a sua habilidade com as palavras e sua educação, que conseguiu chamar a atenção do pontífice e a permissão para ter uma conversa particular. “Foi uma experiência muito interessante”, descreve a tal conversa velada.

Louco por aeronaves, Martin também teve a experiência de viajar de Concorde – e de graça. “Ah, era um belo avião”, suspirou, ao lamentar a aposentadoria do pássaro de ferro que quebrava a barreira do som.

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Cerveja de cereja no restaurante Altes Brauhaus zu Fallersleben

Além de profundo conhecedor de aeronaves, Martin entende muito de Alemanha, em especial, da gastronomia local. Com ele, conheci um restaurante típico na cidade de Wolfsburg. É o Altes Brauhaus zu Fallersleben. Ele tem entre suas especialidades a cerveja de cereja (fora as mil e uma opções de cerveja de trigo), uma entrada maravilhosa de queijo camembert empanado com calda de frutas vermelhas e, claro, um chucrute perfeito.

Como eu não arrisco fazer o chucrute (sou muito italiana para essa receita dar certo em minhas mãos), eu passo aqui a receita do camembert empanado, que está mais para prato francês do que alemão, mas foi adotado na Alemanha com o mesmo amor dado ao chucrute.

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