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Villa Mar, uma praça em Cozumel (foto: Priscila Dal Poggetto)

Villa Mar, uma praça em Cozumel (foto: Priscila Dal Poggetto)

Cinco garotos na praça faziam embaixadas e trocavam toques com a bola de futebol em uma praça cercada de casas coloniais. O lugar tinha coreto, igreja e diversas lojinhas, que disputavam atenções com o carrinho de churros. Mais ao lado, uma sorveteria. O fim de tarde estava bem ensolarado, quente, mas ventava o suficiente para tirar do lugar as madeixas que desfilavam pelo calçadão, beirando o mar.

O torpor da cena bem brasileira foi interrompido pelas risadas em espanhol dos meninos, que jogaram a bola longe. Parecia, mas eu não estava no Brasil. Estava em Cozumel, no México.

Esta ilha, como qualquer canto do país do sombrero, tem muita brasilidade. Todos são apaixonados por futebol, grandes admiradores da Seleção Brasileira e dos “Ronaldinhos” que já apareceram em campo. Além de bater bola, adoram beber marguerita – a caipirinha deles, feita com suco de limão, sal e tequila —, dançar salsa, assistir a “Chaves” e abraçar desconhecidos (é coisa de brasileiro ou não é?!).

Churros da Dona Florinda, um dos melhores da série mexicana 'Chaves' (Reprodução/YouTube)

Churros da Dona Florinda, um dos melhores da série mexicana ‘Chaves’ (Reprodução/YouTube)

É exatamente por esta identificação cultural que todo mexicano recebe como irmão os brasileiros que passam por lá. E que, por sua vez, sentem-se em casa. Eu me senti tão confortável naquela praça de Cozumel que levantei-me da mureta e abracei o carrinho de churros à minha frente com todo o amor do mundo. Para quem passou a maior parte da infância na década de 1980, comer churros mexicanos é ter o prazer de saborear a maior especialidade da Dona Florinda (eu ainda estou falando de “Chaves”, o ícone da televisão mexicana).

Mas a ilha dos churros traz ainda outras heranças deixadas pela humanidade. Cozumel é o primeiro ponto geográfico do México a receber os raios solares. Era, então, considerada pelos maias um local de adoração da deusa da fertilidade “Ixchel”. Por esse motivo, há sítios arqueológicos espalhados por toda a parte e abertos à visitação.

Churros mexicanos vendidos em praça de Cozumel

Churros mexicanos vendidos em praça de Cozumel

E por falar em maias, os habitantes atuais da ilha carregam os fortes traços físicos dessa civilização, tão famosa por sua inocência e honestidade. Algo muito bem abusado pelos espanhóis, quando invadiram a região, mas que ainda torna Cozumel um dos lugares mais afáveis do mundo.

Ruína maia em Cozumel

Ruína maia em Cozumel

Por ser pequena, é uma ilha prática para turista — dá para rodar por tudo em um dia. Alugar bicicletas, jipes e motos é muito fácil (chove empresa oferecendo o serviço). Optei pela scooter. O vento na cara anima a viagem feita por uma só estrada. Há inúmeras praias, botecos, comidinhas de rua, restaurantes, lojinhas e ruínas para visitar. Então, se um dia for a Cozumel, saia do hotel sem planos e descubra cada detalhe deste micromundo no mar mexicano — o mapa turístico ajuda.

Por fim, não deixe de mergulhar. Mesmo aqueles que não têm curso para usar os cilindros, podem aproveitar muito bem o passeio com snorkel mesmo. Enfrente o enjoo, caso tenha problemas com o mar (ok, eu vomitei). Vale a pena. A ilha é rodeada de magníficos corais e, com sorte, você poderá ver além da infinidade de peixinhos coloridos, as enormes arraias que pincelam o mar. Um presente de viagem que não cabe em nenhuma estante de sala.

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Fazer churros não é a atividade mais prática do mundo, mas não custa nada passar a receita. Os churros mexicanos, os originais, são mesmo um deslumbre da gastronomia de rua, daquelas de óleo escuro e carrinho iluminado por lampadinhas. Nada como mergulhar as massinhas em doce de leite (argentino, por favor) e sentir a casquinha sequinha quebrando-se entre os dentes. Confira no post anterior a receita.

A ilha de Cozumel era considerada sagrada pelos maias (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A ilha de Cozumel era considerada sagrada pelos maias (Foto: Priscila Dal Poggetto)