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Uma das 'sete irmãs' (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Uma das ‘sete irmãs’, os olhos de Stalin (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Coisas estranhas acontecem na Rússia. Vasculhe os portais de notícia e achará destaques como “Diretor do Bolshoi é atacado com ácido no rosto”, “Putin ‘assusta’ criança durante evento da Igreja Ortodoxa”, “Banda Pussy Riot é sentenciada a dois anos de prisão por protesto vandalismo” e “No frio de -23°C, escola dá banho gelado em crianças”. Fatos assim, combinados com tudo o que já se ouviu falar em “máfia russa”, dão um clima diferente ao país.

Primeiramente, a sensação é de que você é observado o tempo todo e que mais cedo ou mais tarde a KGB vai acabar te torturando. Especialmente, quando é afagado pelo hino nacional que sai dos megafones da estação cada vez que um trem chega — isto significa a cada 15 minutos. Ainda bem que não trabalho lá. A primeira vez que ouvi a musiquinha, a caminho de São Petersburgo, quase levantei os braços para negar até a morte que eu era uma espiã.

Estação Leningradsky, em Moscou - onde toca o hino (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Estação Leningradsky, em Moscou – onde toca o hino (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Fora isso, existem as torres de Stalin. Uma delas dá pra ver da estação Leningradsky mesmo. Chamadas de “as sete irmãs”, elas abrigam instituições públicas. Os prédios com mais de 100 metros foram construídos de forma que intimidassem as pessoas. As torres parecem aquele olho do Senhor dos Anéis.  Eu super me senti oprimida pelos olhos de Stalin #not.

E por falar em Stalin, por onde anda Lenin? Na Praça Vermelha, no mausoléu mais bizarro da história da humanidade, onde ele permanece embalsamado. Lá é possível ver o primeiro líder soviético em conserva. A não ser que você faça como eu e visite a Rússia no período a cada um ano e meio quando ele está em manutenção, ou melhor, fazendo a unha e o bigode — eles crescem eternamente.

Vista da Praça Vermelha (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Vista da Praça Vermelha (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Outras curiosidades podem acontecer na Praça Vermelha ainda, como um russo pedir o seu telefone com mímicas (Anelisa, fica a lembrança), uma avó socar a neta birrenta e todo mundo achar normal, madames fazendo compras com escolta armada e um taxista sorrir com uma linda arcada dentária de ouro. Tudo com muito amor, claro (não vamos nos esquecer das flores do post anterior).

Entrada da Praça Vermelha (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Entrada da Praça Vermelha (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Bateu aquela saudade de casa? Saia da Praça Vermelha e respire o ar engordurado que sai das trocentas lojas de fast food norte-americanas que se instalaram em frente ao símbolo soviético. O paredão formado por McDonald’s, Burguer King, KFC, Duckin’Donuts, Wendy’s, entre outras, é como um tapa de bacon na cara dos comunistas: yes, we can and we are right here. Ah, se Stalin realmente visse isso do alto de uma de suas sete irmãs…

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Entre as redes de comida yankee na Rússia está o Hard Rock Cafe. Obviamente, comprei uma camiseta com Moscou escrito bem grande abaixo do símbolo da guitarra. Querendo ou não, essa “bagunça” não deixa de ser histórica.

Impossível, portanto, não publicar aqui uma receita de hambúrguer. Este foi o primeiro prato que comi ao chegar à capital russa. No post da receita (o anterior) eu revelo o hambúrguer da minha mãe, que é absurdamente bom e fácil de fazer. Em homenagem aos russos, criei uma maionese de shitake, já que eles são fanáticos por cogumelos de tudo quanto é tipo. Clique aqui para ter a receita.

Sem ácido, a gente dança no Bolshoi (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Sem ácido, a gente dança no Bolshoi (Foto: Priscila Dal Poggetto)