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Casa onde viveu Maria hoje é uma capela (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Casa onde viveu Maria hoje é uma capela (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Com a escolha do Papa Francisco, as discussões sobre fé e religião ficaram, naturalmente, em evidência. E nem pense em iniciar uma conversa destas no bar ou, pior, na hora do almoço. Está aí um assunto que estraga amizades, causa guerras e, basicamente, não leva a lugar nenhum. De ateus a religiosos fervorosos, todos sempre julgam o vizinho neste quesito, mas uma hora algo acontece e faz a gente questionar tudo o que pensava. A conclusão a que eu sempre cheguei? É que não se explica o inexplicável. Exemplo disso foi a minha experiência na Turquia.

Uma das entradas da casa de Maria (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Uma das entradas da casa de Maria (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A 4 quilômetros das ruínas de Éfeso (o próximo post, inclusive), ainda está erguida a casa onde Maria, mãe de Jesus, o Cristo, viveu seus últimos anos de vida. Seu filho já tinha sido crucificado e ela ainda era perseguida. Morreu naquela simples casinha de dois cômodos no alto de uma colina, com vista para o que se tornou a segunda maior cidade do Império Romano. Hoje, é uma capela.

Como todo ponto turístico religioso, ela enche de fiéis com orações, pedidos e agradecimentos. Eu ainda tinha que visitar Éfeso, fiquei pouco, mas o suficiente para me impressionar com a fé impregnada no rosto das pessoas, nos objetos e em mim.

Mesmo que Maria não tenha vivido lá e o local seja sustentado apenas por uma lenda, a casa de pedra se tornou um templo onde uma energia muito forte e pura é canalizada. Tem tanta paz que é impossível não se envolver. Fiquei emocionada, mas não me deu vontade de agradecer nada, nem de pedir nada, para ser sincera. Foi simplesmente um momento de coração aberto para sentir aquela vibração tão boa.

Cristãos fazem orações; local é considerado sagrado (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Cristãos fazem orações; local é considerado sagrado (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Passei pela parede onde as pessoas deixam pedidos e recados em papeizinhos. O meu, em branco, guardei no bolso. Tirei uma foto e despedi-me da casa. De tantas igrejas que já visitei para apreciar arte ou uma referência histórica, esta capela simplesmente me marcou pelo inexplicável. Posso dizer que foi uma bênção muda, sem imagens e sem gestos, contudo imersa em paz interior.

Entrei no ônibus e desci a colina rumo à Éfeso em silêncio, imaginando apenas como foram os últimos dias de uma mulher sozinha, de espírito elevado e que perdera o filho de forma tão bruta por motivos tão torpes. Como explicar?

Pedidos e agradecimentos são presos em um dos muros da casa (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Pedidos e agradecimentos são presos em um dos muros da casa (Foto: Priscila Dal Poggetto)

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A Turquia é o melhor lugar do mundo para degustar azeitonas. Aliás, não tem criação melhor no mediterrâneo do que combinar sabores de peixes, azeitonas e frutas secas, regados com muito azeite (grego, por favor). A receita que passo aqui, no post anterior, é de um antepasto rápido e simples feito com todos estes ingredientes típicos dos países da região. Criei a receita inspirada em todos os ricos pratos que experimentei por lá. Clique aqui.