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A fachada da Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A fachada da Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Talvez Éfeso, localizada na Turquia já na região da Ásia Menor, tenha sido a única cidade na história da humanidade que tenha respeitado tanto religiões, culturas e nacionalidades. Por esse motivo, serviu de refúgio para muitos seguidores de Cristo, perseguidos exaustivamente durante o domínio do Império Romano, que queriam ficar próximos ao “templo” de Maria. Éfeso foi uma das Sete Igrejas da Ásia citadas no livro bíblico do Apocalipse. Dizem, inclusive, que o Evangelho de São João foi escrito na cidade.

Eu em umas das portas de entrada da Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Eu em umas das portas de entrada da Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Na arquitetura, percebe-se a distinta influência de cada povo que já passou por lá. De teatro romano a inscrições com desenhos completamente diferentes um do outro. Achei um, inclusive, muito parecido com a bandeira do Brasil. A cidade exposta é imensa, sendo que somente 20% foi escavada, o resto ainda precisa ser desenterrado, limpo e catalogado, o que torna o sítio arqueológico um quebra-cabeça gigante.

Esta é a mesma proporção do que a cidade foi  por muitos anos: a segunda maior do Império Romano. Atrás somente de Roma, ela abrigava cerca de 250 mil pessoas. Entre as ruínas, o prédio que mais impressiona é a Biblioteca de Celso, cujo nome vem do antigo senador romano Tibério Júlio Celso Polemeno. Ele bancou a construção com dinheiro do próprio bolso e está enterrado em um sarcófago debaixo da biblioteca, inclusive (algo bem incomum na época).

A biblioteca pública é a segunda maior do período, só perde para a de Alexandria, no Cairo. O mais curioso da construção é que ela tinha uma passagem secreta que a ligava aos bordéis próximos. Um forma bem criativa para enganar a mulherada e cair na gandaia “mantendo a aparência”. Como propaganda é a alma do negócio, no chão de mármore foi desenhado um pé para indicar o “caminho do prazer” mais intelectual de todos os tempos.

Sítio arqueológico de Éfeso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Sítio arqueológico de Éfeso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Apesar da estratégia machista de tais homens “cultos e letrados”, outra curiosidade de Éfeso é que as mulheres tinham grande representatividade, tanto é que a deusa da cidade, Ártemis, é uma amazona. O Templo de Ártemis, construído por volta de 550 a.C., é uma das Sete Maravilhas do mundo antigo. No fim, ele foi destruído por incêndio provocado por Heróstrato, um bonitão que só queria fama mesmo (nada contra a deusa). O fulano foi executado e seu nome condenado — era proibido pronunciá-lo.  Posteriormente, o templo foi reconstruído e destruído, novamente, por godos, terremotos e saques. O que resta hoje é “malemá” uma coluna.

Mas, antes de tudo isso, dizem os historiadores que no templo chegaram a trabalhar centenas de sacerdotisas virgens. Elas praticavam a abstinência sexual e artes mágicas, acreditando na superioridade feminina e “mantendo a aparência”.

Detalhe de estátua na Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Detalhe de estátua na Biblioteca de Celso (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Resumindo Éfeso: uma cidade multicultural, onde a mulherada fingia que seus maridos, namorados ou amantes eram cultos e que, por sua vez, preferiam acreditar que suas filhas, vizinhas e líderes espirituais eram assexuadas. Legal, e Heróstrato que era o perturbado?

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Ironias sobre o sexo dos anjos à parte, Éfeso impressiona pelo seu tamanho e pela resistência de seus prédios. Saindo do sítio arqueológico, voltei para Kusadasi, onde pegaria o navio para seguir até a Grécia. No caminho, paramos em um hotel com vista linda para o Mar Mediterrâneo para saborearmos comidas típicas. Nunca comi tanta berinjela na vida! Inspirada neste dia e ainda com a fresca lembrança da Itália, passo aqui uma receita de um antepasto que criei e é sucesso em casa. Clique aqui e confira.

Desenho em ruína de Éfeso que lembra a bandeira do Brasil (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Desenho em ruína de Éfeso que lembra a bandeira do Brasil (Foto: Priscila Dal Poggetto)