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Estação Alto do Ipiranga. São Paulo. Saio do metrô na tarde desta segunda-feira, sob ensolarado outono de vento quase gelado. O cabelo do profeta balança. Sentado na calçada sobre uma das pernas, ele ajeita a roupa maltrapilha, estica o braço, aponta o dedo e esbraveja:

– Cuidado! A gripe das aves e dos porcos está lá, do outro lado do mundo, mas ela vem. Ela chegará aqui. E esta mata.

O outro lado do planeta é Xangai, na China, ironicamente, aonde parti nesta quarta-feira. Não vou negar que as palavras do profeta mendigo me arrepiaram. É sempre bom se precaver. Mas também não é a primeira vez que vou a um lugar com polêmicas envolvidas. Listo aqui algumas delas.

Na categoria doenças, só não compartilhei o risco da vaca louca. Mas quando aconteceu o surto dos pepinos na Alemanha, eu estava lá. Surto de febre amarela no Brasil? Fui para o Deserto do Jalapão sem vacina. Dengue na praia? Também.

Ao destacar as catástrofes naturais, como já disse por aqui, passei por um furacão no Mar Mediterrâneo e passei pelo vulcão Etna uma semana antes de entrar em erupção.

Em relação às desgraças sociais, entre outras, estava na Argentina quando uma balada pegou fogo e causou uma das maiores tragédias do país; na Inglaterra, na época do terrorismo contra vitrines de lojas; e comprei, em 2009, passagem para Nova York datada para 11 de setembro sem me tocar.

O que aconteceu comigo? Absolutamente nada.

Para não abusar do meu corpo fechado, ouvi o profeta letrado. Coloquei carga extra de álcool gel na mala, peguei minha carteira internacional de vacinação e fiz uma pequena despedida de São Paulo com família e amigos. Na segunda mesmo, fui comer tapas no Sancho Bar, na Augusta. Na terça, quiche de camembert e, de sobremesa, pain perdu em um dos meus bistrôs favoritos, o Brasserie Le Jazz. Nesta quarta, pizza de queijo branco sobre a fina massa da Forneria Itália, em São Caetano do Sul. Em todos estes dias no café da manhã, o bolo meio chocolate e meio coco, que minha mãe sabe que eu adoro e fez pra mim com todo carinho de despedida de mãe.

No Le Jazz, enquanto mexia a bebida com o palito de cenoura meu suco de tomate, ouvi o homem da mesa ao lado perguntar ao garçom se a perna dele já estava boa. Desde o começo do ano, ouço esta pergunta de diversas pessoas e ele sempre responde: “está indo, agora estou melhor, mas ainda é meio ruim pra andar.” Aquele sentimento de “estou em casa” invadiu o meu espírito. Já podia encher o pulmão de ar e partir para mais uma viagem. São Paulo – Doha – Xangai, caro profeta, e ela não vai me pegar.

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Suco de tomate exige um paladar peculiar. Ou você ama ou odeia.
O segredo de um bom drink – o sem álcool mesmo – é a combinação dos ingredientes com maestria, sem nunca se esquecer do palito de cenoura para ser mordido aos poucos. Aqui passo a receita, mas como cada um tem um gosto, o negócio é testar até achar a medida certa de cada tempero.

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