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Foto: Priscila Dal Poggetto

Xangai, a visão oriental de um mundo ocidental (Foto: Priscila Dal Poggetto)

As proporções do aeroporto de Xangai mostram a dimensão do que é a China. Do pouso ao terminal, sem brincadeira, são de 10 a 15 minutos de trem de pouso rodando. Um tempo que não passa, tanto pela ansiedade de explorar este país, quanto pela vontade de tomar um bom banho após 24 horas de voo.

Foto: Priscila Dal Poggetto

O pneu sobre o asfalto segue por prometida meia hora que se transforma em uma, no transfer aeroporto – hotel. Pela janela, carros com lataria amassada ou que imitam carros “de marca” se cruzam. Buzinadas e cortes sem seta orquestram o trânsito caótico onde todos passam ilesos – inclusive pedestres e ciclistas que furam a sinalização vermelha dos semáforos sem temer a fúria dos motoristas. “Finas” que arrepiam qualquer turista recém-chegado.

Já as escarradas despretensiosas no meio da rua espantam, assim como, no chão dos banheiros, os buracos adornados por uma cerâmica embutida. No começo, a vontade de fazer xixi passa rapidinho. Depois, acostuma-se ao malabarismo com a ponta dos pés e em pé – chinesa faz o esquema de cócoras, algo impossível para o condicionamento ocidental ao fazer as necessidades fisiológicas.

Foto: Priscila Dal Poggetto

Azul acinzentado de primavera em Xangai (Foto: Priscila Dal Poggetto)

O primeiro contato com o céu de Xangai também causa certa estranheza. É de um azul desbotado. O ar cinza é seco e carregado de poluição. Mesmo assim, você vai acordar e encher os pulmões ao se espreguiçar.

A noite em Xangai (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A noite em Xangai (Foto: Priscila Dal Poggetto)

À noite, tudo muda. As luzes aparecem e a linda cidade mostra que não é tão inocente assim. Os letreiros de bancos e hotéis no alto dos mais de 50 andares se acendem. Túneis coloridos e enormes viadutos também iluminam a cidade e engolem as pessoas, tão pequeninas.

No calçadão boêmio, feito para turistas ocidentais, tem bar que toca jazz de New Orleans. O cheiro de charuto invade o frio ar da noite de primavera, enquanto chinesas de meia idade distribuem telefones de jovens moças, com a promessa de habilidosas massagens mais do que especiais.

O gigante dragão vermelho assusta. E não há Facebook disponível para distrair a insônia do fuso. Comunismo, baby. Finque seus pés no Oriente chinês de coração aberto. Só assim, conseguirá entender a beleza de seus contrastes.

Foto: Priscila Dal Poggetto

Jazz de New Orleans em Xangai (Foto: Priscila Dal Poggetto)

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A primeira impressão sobre Xangai não foi uma das melhores que já tive de um lugar. Tudo é estranho e foge do que você já ouviu falar sobre a capital econômica da China. Mas tudo começou a mudar quando experimentei o tradicional pato laqueado de um restaurante no alto de um hotel. Não me pergunte o nome, estava em mandarim e meu um ano de estudo desta língua é realmente muito pouco para sair do trivial “oi, tudo bem?”, “sou brasileira”, “obrigada”.

Foto: Priscila Dal Poggetto

Chefe chinês fatia o pato laqueado (Foto: Priscila Dal Poggetto)

O “laqueado” é pincelar a carne com molho agridoce. Mas é muito legal ver o chef cortar a carne, com uma faca afiadíssima e habilidade impressionante. A carne do pato tem sabor especial e as tirinhas devem ser colocadas sobre uma fina massa. No recheio, você mesmo coloca vegetais e molho. Enrola como uma panqueca. Este prato é tradicional de Pequim, mas Xangai tem bons lugares, pesquise antes de ir.

Em São Paulo, o melhor para se comer o prato é o China Lake (endereço abaixo), mas prepare o bolso.

Não me atrevo a passar uma receita tão tradicional e milenar aqui. Mas no outro post, passo uma dica de frango laqueado, que inventei inspirada em diversas receitas que pesquisei.

Serviço
China Lake
Rua Marechal Deodoro, 525, Santo Amaro. São Paulo.
Tel: 5524-7921