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Noite de verão em Budapeste (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Noite de verão em Budapeste (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Chico Buarque e Milan Kundera pulavam em minha mente quando dei meus primeiros passo pelas ruas de Budapeste. O sol das oito da noite refletia ainda um calor de mais de 30°C na capital da Hungria. Demora para anoitecer, assim como as pessoas demoram para dormir. Com a lua quase cheia, brilhando no céu em conjunto iluminado com a ponte que liga “Buda” à “Peste” e o lindo prédio do Parlamento, caminhar pelas margens do Danúbio se torna o melhor passeio na cidade.

Era por volta das 23h e ainda fazia 30ºC. As margens do rio se encheram de adolescentes curtindo as férias, enquanto nós, brasileiros, reclamávamos com piadinhas infames do “calor da peste em Budapeste”. Dizem que esta vida à margem do rio é o que rende à cidade o título de “a Paris do Leste Europeu”. Bobagem. Budapeste tem alma soviética, não iluminista. E, diferentemente de Moscou ou Saint Petersburgo, traz um ar jovem, inovador e descontraído. Só que isso você não vai notar entre os bares, prostitutas e conversas com os funcionários de hotel. Essa nova cultura está nas roupas, que não combinam em nada com os bons e velhos Tranbants que ainda rodam pelas ruas da cidade – aqueles carrinhos soviéticos feitos em Berlim Oriental para atender aos trabalhadores das nações comunistas.

fotoAs belas loiras, altas e de pernas compridas usam minúsculos shorts combinados com blusinhas coloridas, bem coladas ao corpo, e botas. Acessórios estranhos como uma dúzia de caveiras penduradas acompanham. Já os homens – que poderiam ser tão belos quanto mas não são – usam bermudas rasgadas e largas, com blusas justas adornando cortes de cabelo inusitados. Já as cinquentonas adotam blusas claras sem sutiã, à mostra para quem quiser olhar e julgar.

Para admirar o desfile inusitado, olhe para o alto e caminhe em direção à roda gigante que enfeita a cidade, chamada Eye Sziget Budapest. É onde se concentra a vida boêmia da cidade, semelhante à Passarela do Álcool, em Porto Seguro (BA). Em busca de um canto para se encostar e beber, meus amigos e eu nos deparamos com um figura mais louco que o Batman e a Amy Winehouse juntos. Vestindo calça camuflada de combatente da Guerra do Vietnã, o sujeito colou na gente pedindo, em inglês, dinheiro:

– Não temos nada, sorry, somos brasileiros! You know…

O maluco abriu um largo sorriso, olhou nos nossos olhos e fez um reverência encostando a cabeça nos pés. Ergueu-se, cumprimentou a todos com um aperto de mão e foi embora à procura de nações mais endinheiradas. Ao menos, admirava o Brasil se é que ele entendeu alguma coisa.

***

Há uns 20 anos, uma senhora de um desses países da ex-União Soviética (não me lembro qual exatamente) passava receitas típicas em programas femininos na TV. Uma das receitas eu anotei, um incrível bolo de morango que faço até hoje. É muito fácil. A receita do Pingo de Morango está no post anterior.

Bares em Budapeste (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Bares em Budapeste (Foto: Priscila Dal Poggetto)