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Alambique Pererecana (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Alambique Pererecana (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Pereiras é aquela cidade típica do interior paulista de casas, igreja e coreto (sem contar que todo mundo se conhece ou é parente). E como toda boa cidade interiorana, revela personagens e comidas locais que só um nativo pode te orientar. Sendo assim, um grande amigo meu fez o feliz convite para passar uns dias na casa de campo da família. Em três dias conheci especialidades locais que mudaram todo o meu conceito gastronômico sobre cachaça e bolinho de queijo.

Mas mais do que bebida e quitute, conheci duas pessoas extremamente diferentes: o dono do alambique e o dono do botequim. Respectivamente, o Seu Gaspar e o Seu Ricardo. Vou começar pelo mais legal, o criador da Pererecana. Esta cachaça que você não acha no Google é feita com carinho nas propriedades do Gaspar, que assim que você chega já te estende a mão com um largo sorriso no rosto.

Durante a visita, recebemos uma amiga faminta (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Durante a visita, recebemos uma amiga faminta (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Como todo alambique, o lugar é úmido e com cheiro de vegetal fermentado, o que dá um clima bem interiorano ao passeio. Você pode ser também surpreendido por um filhote de cabra, passando por suas pernas em busca da mamadeira.

De pinga em pinga, Seu Gaspar te explica a diferença entre cada uma e oferece um copinho amistoso para degustação (no fim do passeio você já está cantando hits da Cher como se não houvesse o amanhã). Ele explica ainda todo o processo de produção da cachaça, passando pela moagem da cana, fermentação e destilação. A minha preferida – a de todas as mulheres, inclusive — é a que vai polpa de maracujá.

Alambique Pererecana fica em Pereiras, no interior de SP (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Alambique Pererecana fica em Pereiras, no interior de SP (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Feliz da vida com tanta Pererecana na cabeça, fui conhecer o boteco do Seu Ricardo. Ele guarda naquelas vitrines antigas de salgado o melhor bolinho de queijo do planeta (bolinho é bondade minha, o quitute é um tolete). Porém, o seu Ricardo é aquela pessoa nada simpática com quem não conhece. De cara fechada, ele abre a janelinha da vitrine com jeito de “mais um pra encher o meu saco”. Joga o bolinho no prato e te entrega sem a menor animação. Juro, não tirei foto do boteco com medo de ele arremessar um bolinho na minha cabeça.

Agora, na hora que coloquei aquele quitute na boca, passei a achar o velho boteco do seu Ricardo o melhor lugar do mundo! Obviamente, voltei no dia seguinte.

***

Não tenho a receita do bolinho de queijo do boteco e nem sei quem o faz para o Seu Ricardo, mas aqui vai uma receita boa deste salgadinho tão frito e tão amado. Sobre o endereço do alambique e do boteco, vá a Pereiras e pergunte a qualquer um na rua. É muito melhor do que se eu tivesse passado o endereço.