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Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Viajar de avião nunca é legal — a não ser que você banque a primeira classe da Emirates —, mas tudo pode piorar se alguém inconveniente sentar ao seu lado, ou se a aeromoça for uma aerobruxa saída das profundezas de infernos como a America Airlines e a United Airlines. Obviamente, já passei pelas duas situações.

A mais constrangedora delas foi um voo que peguei de Nova York para Dallas. Eu estava na janelinha, o pior lugar de todos na minha opinião, dormindo. De repente, uma luz incandescente arregala os meus olhos e o pior cheiro do mundo invade as minhas narinas: uma indiana sem banho havia debruçado sobre mim para abrir a janela e observar a paisagem. Desesperada, eu fechei a janela e empurrei a menina. Ela, inconformada e ansiosa para ver o céu novamente, abriu a janela outra vez e quase sentou no meu colo. Fui salva pela aeromoça, que pediu para a fulana sentar e afivelar o cinto.

Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Outra situação nojenta veio de um colombiano. Era um voo São Paulo — Qatar e este homem passou 12 horas com piriri. Ele estava na jenela, meu amigo, no meio, e eu, no corredor. Além de ter de levantar a cada cinco minutos para o cara ir ao banheiro — ele confessou que estava com “dolor de estómago” —, não falava inglês e muito menos sabia pedir um pão para o comissário de bordo. A ideia genial dele para se fazer entender foi afundar o dedo no pão do meu amigo e pedir: “este”.

Sobre as aerobruxas, uma vez inventei de comprar nos Estados Unidos o Guitar Hero para o meu irmão. E quem disse que eu conseguia achar um lugar para aquela guitarra em um voo lotado? A educada aeromoça mandou eu “me virar” e procurar um lugar. E, ainda, por cima, me deu bronca por estar em pé. Bati boca come ela, claro, era obrigação dela achar um lugar para minha bagagem.  Nisso, meus amigos já se envolveram na causa e ela decidiu chamar o piloto. Só que um deles tinha cartão “gold” da companhia aérea. Quando o cliente prestigiado foi identificado, um pedido de desculpa veio em seguida. Naquela semana, ele ganhou milhas extras pelo desconforto. Ao menos, eu consegui um lugar para o brinquedinho de gente grande.

Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Vida de aeroporto (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Mas o legal mesmo foi ver a cara de idiota da aerobruxa, que acabou tomando bronca. Como também foi legal, em um voo da Alemanha, ver dois brasileiros bêbados serem retirados pela “politzei de dentro do avião, após invadirem a classe executiva.

Também no top da inconveniência de avião estão os galanteadores, que acham que vão terminar a viagem com o número do seu telefone. Uma vez, voltando da França, dormi por umas 8 horas. Quando acordei, o uruguaio sentado ao meu lado lança a cantada: “você dorme como um ‘angelito’”. Anjinho é? Fala isso pra dona dessa aliança enorme que está no seu dedo!

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Comida de avião hoje em dia também é um suplício, mas foi em um voo que experimentei o melhor sorvete de todos os tempos, de gengibre com calda de chocolate. Passo aqui receita dos dois, mas se tiver preguiça de fazer o sorvete, compre pronto e só invista na calda, que vai Ovomaltine.