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Corpos foram preservados pela fuligem do vulcão, que grudava no corpo e derretia a pele (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Corpos foram preservados pela fuligem do vulcão, que grudava no corpo e derretia a pele (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Cidade de Pompeia foi preservada pela lama e fuligem do vulcão que a destruiu (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Cidade de Pompeia foi preservada pela lama e fuligem do vulcão que a destruiu (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Foram as cinzas e a lama do Vesúvio que protegeram as construções de Pompeia contra os efeitos do tempo. O vulcão entrou em erupção em 79 d.C. e escondeu uma das cidades mais importantes da Roma Antiga por 1.600 anos. Essa “massa” que grudava na pele das pessoas eternizou seus corpos e pertences e, também, preservou o principal objetivo de seus 20 mil habitantes: o livre prazer.

A cidade boêmia tinha bares, restaurantes, cassinos e prostíbulos (claro, como qualquer outra desenvolvida economicamente na época), mas não tratava o sexo como algo escondido na calada da noite. A intensidade e a busca pelos prazeres sexuais ainda estão nos mosaicos, nas marcas nas ruas de pedra e nas sensuais estátuas de deuses.

Muito já foi retirado de lá, é verdade. Algo que uma senhora americana notou durante a visita, questionando o guia sobre desenhos que serviam como o Kama Sutra local. No caso, o guia do grupo era também um senhor de idade, com inglês canastrão carregado de sotaque italiano. Foi o diálogo mais engraçado que aquela cidade poderia oferecer após a sua aposentadoria forçada:

Mosaicos na parede de um cassino em Pompeia (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Mosaicos na parede de um cassino em Pompeia (Foto: Priscila Dal Poggetto)

— Minha amiga veio aqui na década de 1970 e me disse que existiam umas gravuras ou mosaicos, não sei ao certo, que eram censurados para mulheres. Onde estão?

— Ah, é verdade! Eles foram para o museu. A senhora vai ficar sem ver a sacanagem.

Ruborizada, ela lamentou com o guia sobre a falsa moral quando existia a proibição para as  mulheres no sítio arqueológico de Pompeia:

— Eu não acho certa a censura que tinha. Qual o problema?

Como todo italiano, a resposta não poderia ser outra:

— Eu também acho. Vocês, mulheres, aprenderiam muito com aquelas figuras!

— É… A visão de um homem — calou-se a senhora, que não viu Pompeia como gostaria e ainda teve que ouvir o que não esperava.322

Muitos dos achados em Pompeia estão hoje no Museu Nacional de Arqueologia de Nápoles. Ele guarda a maior coleção de arte erótica de todo o mundo, com cerca de 250 obras mostrando todos os atos sexuais possíveis e imagináveis, revelando a vida íntima dos habitantes da cidade.

Jardim da casa de um dos governantes de Pompeia (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Jardim da casa de um dos governantes de Pompeia (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Mas a ausência dos objetos não tira a graça de suas ruínas. Sexo, erotismo e prostituição transpiram pelas paredes ainda em pé que, apesar do tempo, de tão bem conservadas aguçam a imaginação sobre como era o dia a dia em uma cidade na Roma Antiga. Sem dúvida, Pompeia é um dos lugares mais impressionantes que já visitei e aconselho a qualquer um visitá-la antes de morrer.

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Quando lia sobre Pompeia nos livros de História que, obviamente, ocultavam a pornografia, achava que restara apenas um amontoado de colunas largado em um terreno cheio de terra. Ao adentrar à cidade e ver suas proporções e o quão bem conservada está, fiquei perplexa. Caminhei muito aquele dia sob o sol, sem perder um detalhe da visita. Aliás, pretendo voltar. Na saída, encontrei um carrinho de pizza — na Itália, bello, não tem tiozinho da pipoca, é tiozinho da pizza.

Experimentei o primeiro pedaço de pizza da viagem, diferente das brasileiras — como já era esperado —, mas muito boa, especialmente pelo molho de tomate — como também já era esperado. Clique aqui para ler a receita de uma típica pizza de Nápoles ou acesse o posto anterior.

Pompeia foi uma das cidades mais desenvolvidas da Roma Antiga (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Pompeia foi uma das cidades mais desenvolvidas da Roma Antiga; ao fundo, o vulcão Vesúvio, que a destruiu (Foto: Priscila Dal Poggetto)