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Indianápolis 004Outro dia conversava com amigos sobre a paixão por automobilismo e me
recordei uma das experiências mais emocionantes da minha carreira como
jornalista. Participei das comemorações do centenário das 500 Milhas
de Indianápolis e dei uma voltinha no Pace Car da competição, um
Camaro conversível, pilotado por um dos vencedores mais adorados pelos
norte-americanos, o brasileiro Emmerson Fittipaldi.

A volta com o bicampeão (Foto: Reprodução/G1)

A volta com o bicampeão (Foto: Reprodução/G1)

Na época, em 2011, escrevi uma matéria sobre a emoção de correr pelo
circuito oval, mesmo que de carona (se quiser conferir, leia a
reportagem). Mas aqui tenho espaço para contar um pouco além sobre o
passeio com o bicampeão.

Se no Brasil, hoje em dia, ele é visto mais como empresário do que
como qualquer outra coisa, nos Estados Unidos ele é “O” piloto. Antes
da corrida, pude ver dos boxes cerca de 350 mil pessoas em pé,
aplaudindo Fittipaldi. Impossível não ter aquele sentimento de “pátria
amada”, algo que os norte-americanos têm em exagero e os brasileiros
de forma bem comedida.

076De fala calma e com um sorriso estampado no rosto, ele acenou para o
público e entrou no carro. Na primeira volta, arrancou gritos e mais
aplausos. Era o bicampeão aquecendo os pneus e mostrando aos
jornalistas o que é correr e Indianápolis.

Confesso que o frio na barriga foi ficando maior a cada volta,
enquanto aguardava a minha vez. Quando entrei no carro e recebei a
exclamação “ah, você é brasileira, prazer”, confesso que, para mim,  o
Indianapolis Motors Speedway ficou do tamanho do Estado de São Paulo.

E lá foi ele: pé fundo no acelerador. A única vez que consegui olhar
no painel de instrumentos do carro estava a uns 230 km/h. Eu, colada
no banco, tentava entender o que Fittipaldi explicava sobre a pista. A
ventania no conversível não deixava escutar muita coisa. Mas “pesquei”
conselhos do tipo “o segredo é… Neste trecho aqui, tem que ficar bem
rente à grama”.Indianápolis 011

E foi a experiência de quem venceu em 1989 e 1993 que me deixou mais
calma durante as três voltas na pista oval de Indianápolis, um
circuto, como posso dizer… Bruto! Em um ponto dela, abre-se um
paredão. Os pilotos têm que chegar o mais próximo possível dela, para
não perder nem tempo e nem velocidade — o segredo das corridas é
tranformar a pista em um reta, tangenciando as curvas de forma
precisa.

066Neste ponto, meu único mantra era: “gente, é o Fittipaldi, não vou
morrer espatifada; gente, é o Fittipaldi, não vou morrer espatifada;
gente, é o Fittipaldi, não vou morrer espatifada”.

Não só não morri, como também não queria sair nunca mais daquele
carro. Frio na barriga melhor do que o de montanha russa! Fim das
voltas, agradeci Fittipaldi, fiz pose para fotinha e saí bambeando até
a euforia acalmar.

Ao sair do Camaro, toquei nos tijolos de quando a pista foi construída
(mantiveram como símbolo histórico), como se fosse um reverência a
todos os pilotos que participaram da história do automobilismo e,
consequentemente, da evolução dos carros —  só para ter uma ideia, Ray
Harroun, o primeiro a vencer as 500 Milhas de Indianápolis, ajudou a
desenhar o automóvel que tinha como avanço tecnológico o primeiro
espelho retrovisor.

***

Sabe o que americano gosta de comer em dia de corrida? Frango com
milho cozido. Comi isso este dia. Aliás, o milho deles tem outra
sabor, bem mais adocicado do que o brasileiro. É aquele milho que os
corvos comem no desenho do Pica-pau (rá!). Aqui vai uma receita fácil
para o fim de semana.