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A Fazenda do Chocolate beira a Estrada dos Romeiros (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A Fazenda do Chocolate beira a Estrada dos Romeiros (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Em dezembro todo mundo aproveita para fazer o que não conseguiu o ano todo. E no quesito viagem não é muito diferente. Este ano vivi muito o interior de São Paulo, mas um lugar escondido no município de Cabreúva sempre ficava em segundo plano. Foi então que ele subiu ao topo da lista do “vou pra lá agora”. O lugar é a Estrada dos Romeiros, mais conhecida como Estrada Parque, e vai até Itu.

 

Inaugurada em 1922 a estrada foi aberta para ligar a cidade de Itu a São Paulo. O caminho é uma continuidade das Avenidas Vital Brasil e Corifeu de Azevedo Marques (em São Paulo), Avenida dos Autonomistas (em Osasco) e segue (às vezes muda o nome nas áreas urbanas) até a cidade de Itu.

 

Vista do Tietê da Estrada dos Romeiros (Divulgação/Rede das Águas)

Vista do Tietê da Estrada dos Romeiros (Divulgação/Rede das Águas)

É uma reserva ambiental cortada pelo Rio Tietê e por uma estradinha irregular, bem sinuosa e de uma paisagem, digamos, bem agitada. Por alguns motivos. É um trecho de Mata Atlântica pertencente à Serra do Japi. O rio Tietê que ali corta não é aquele sujo, barrento ao cruzar a capital paulista. É aquele cheio de lindas quedas e corredeiras, mas poluído por esgoto químico das indústrias da região. O resultado: espumas flutuantes muito longe da poesia de Castro Alves.

 

Arara na Fazenda do Chocolate (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Arara na Fazenda do Chocolate (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Bom, seguindo, a estrada tem um ponto de parada, onde tem uma gruta bem feia. Muito mal conservada. Fiquei tão triste com o que vi na natureza que o complemento da paisagem, algumas famílias morando na beira da estrada, nem alterou minha feição. Outra vez, os contrastes deste país me surpreenderam. Mais pela revolta de tantos anos passarem e nada mudar.

 

Se der sorte, vai cruzar com alguma romaria – afinal o apelido desse trecho da SP-312 é por causa dos religiosos que usam o caminho para ir até Pirapora do Bom Jesus, seja a pé, a cavalo, carroça ou de bicicleta. O caminho cheio de curvas também empolga os motoqueiros, que fazem manobras arriscadas, muitas vezes na contramão para desviar dos carros a passeio.

 

Entre tanta diversidade, nada como existir uma “Fazenda do Chocolate” no meio de tudo isso. Um paraíso para crianças conhecerem bichos como arara, avestruz, pavão, cavalo, llama, coelho, entre outros animais, e para os adultos… Comerem!

 

O café passado na hora no coador de pano (Foto: Priscila Dal Poggetto)

O café passado na hora no coador de pano (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Nada como tomar um café e aproveitar a tarde (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Nada como tomar um café e aproveitar a tarde (Foto: Priscila Dal Poggetto)

O lugar fica na Estrada dos Romeiros mesmo, em uma entradinha escondida, mas tem placa.O chocolate vendido lá, junto com biscoitos, pamonha, refeições caipira, entre outros quitutes, é muito bom, mas nada supera o café moído na hora e coado no pano. Nada melhor do que encerrar a tarde batendo papo com um café bom assim. E dá para levar pacotinhos para casa, custam entre R$ 10 e R$ 18. Um oásis à beira de um Tietê triste.

 

***

 

A bebida tão importante na história de São Paulo é o ingrediente que faz diferença nesta receita passada pela barista Isabela Raposeiras, mas que adaptei com toques meus. É uma sobremesa de gosto interessante pela mistura de aromas e sabores, confira no post anterior: creme de limão regado com café.