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A noite de São Francisco (Foto: Priscila Dal Poggetto)

A noite de São Francisco (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Ainda se ouvia o barulho do último bonde a ser guardado, quando cruzei o trilho para atravessar a rua e entrar em um bistrô bem de esquina. Não me lembro do nome da rua, muito menos do bistrô. São Francisco tem dessas. Às vezes parece que naquela cidade estamos vivendo em um mundo paralelo. Ela não é dos Estados Unidos, como não seria de nenhum outro país do mundo. São Francisco só pertence a ela mesma. E se você é um felizardo a passar por aquelas ruelas, também só pertencerá a ela.

Clássica foto no bondinho (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Clássica foto no bondinho (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Entrei naquele bistrô sem nome, para onde a cidade me levou. Recebi um menu cuidadosamente deixado em minhas mãos pelo garçom. Logo notei por seu sotaque que não era americano e sim, um francês. Fiquei na minha, até ele lançar um: merci, mademoiselle. Foi a brecha para eu puxar papo e descobrir o que o levou a trocar Paris por São Francisco.

Um amor, claro. Nosso querido garçom apaixonado, do qual eu obviamente não recordo o nome, enamorou-se por uma americana e atravessou o oceano por ela. Como todo grande amor, o fim chegou. Mas como todo fim de um grande amor, outro apareceu. E, hoje, ele sorri entregando cardápios, cantarolando nomes de vinho tinto, até o fim do turno dos bondes, até o último cliente sair do bistrô. Recolheu as mesas, tirou o avental e, caminhando pelas ruas de São Francisco, assobiou a última canção da noite, calada pelo beijo da amada que o esperava reconfortada pelos lençóis da cama.

(Foto: Priscila Dal Poggetto)

Golden Bridge (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Do outro lado da cidade, meu rosto ruborizado pelo vinho sentia o reconfortante choque do ar frio do inverno. Respirava profundamente e, mesmo com o coração vazio, chutava pedrinhas e balbuciava algumas rimas esperando o amanhecer. Já escutava o primeiro bonde a passar, daquela cidade que canta noite e dia.

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Parte da minha viagem a São Francisco foi a trabalho e pude escrever uma matéria sobre turismo, publicada no G1 (veja aqui). Da parte gastronômica, o que mais me recordo é da “frech toast” ou “pain perdu” ou rabanada que comia todo dia de café da manhã acompanhada de um bom e gorduroso bacon frito e de ovos mexidos. A mistureba que eu faço de doce com salgado é uma bizarrice pessoal, portanto, passo a receita aqui da french toast – o que comer com ela fica a gosto. Mas se tiver pique de tomar um vinho às oito da matina, fica a dica como acompanhamento para tudo isso. Caso contrário, um café com creme cumpre bem o papel. Veja aqui a receita de French Toast que eu sugiro.

Bondinho de São Francisco (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Bondinho de São Francisco (Foto: Priscila Dal Poggetto)