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O saxofonista de Rondonópolis (Foto: Priscila Dal Poggetto)

O saxofonista de Rondonópolis (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Fevereiro de 2014, Rondonópolis (MT). Em uma missão a trabalho, o teco-teco da Azul resolveu não funcionar e perdi o voo Cuiabá – São Paulo. Esperando uma solução na praça de alimentação do aeroporto, descobri um viajante que, como eu, busca tudo que foge do comum. Figurinhas trocadas por viajantes sempre rendem longos papos e boas dicas de sobrevivência, o que em um aeroporto é essencial para o tempo passar mais rápido.

Entusiasmado, ele me contou do brilho do Taj Mahal, que compensa toda a sujeira da Índia. Falou também muito sobre Petra, na Jordânia, e os túmulos nas rochas de Dalyan, na Turquia. Lamentou ver os planos para Israel desmoronarem por causa dos conflitos locais, que esquentaram nos últimos anos, mas voltou a se empolgar ao relembrar Hong-Kong. Tudo com aquele sorriso de viajante nato nos olhos.

Eu, anotando tudo no meu bloquinho mental de “próximos destinos” com aquele lamento de “como não estive lá ainda?!”, fui pega de surpresa pela pergunta: e você, quais lugares lhe fizeram brilhar os olhos? Ironicamente, naquele momento, só vinha à minha mente a esquisita estátua de um saxofonista que guarda a porta do aeroporto municipal de Rondonópolis (trata-se do Maestro Marinho Franco, que teve seu nome dado ao aeroporto como homenagem). Ri sozinha e, obviamente, ele não entendeu.

A areia laranja do Deserto do Jalapão (Foto: Arquivo Pessoal)

A areia laranja do Deserto do Jalapão (Foto: Arquivo Pessoal)

Era a última imagem vista, afinal de contas, acabara de sair de Rondonópolis. Deu vontade de responder, “ah, aquela estátua”. Mas ainda bem que logo aquela imagem sumiu da minha cabeça e lembranças mais interessantes entraram: o cheiro de óleo de gergelim das ruas chinesas, a mais linda lua vista no Havaí, a areia laranja do Deserto do Jalapão (Tocantins), o por-do-sol de Jericoacoara e as brumas do País de Gales. Foi impossível dar só uma resposta. Então, fui sincera:

Porque a China cheira a óleo de gergelim (Foto: Priscila Dal Poggetto)

Porque a China cheira a óleo de gergelim (Foto: Priscila Dal Poggetto)

– É… Não dá pra dizer. Todo lugar muda a gente, traz um brilho novo.
– Você tem razão. Não tem como ter um preferido.
– Acho que o preferido é sempre o próximo destino.

Ele conseguiu remarcar o voo antes de mim e seguiu viagem, desejando-me “boa sorte”. Fiquei mais duas horas em Cuiabá à espera do meu voo, maquinando qual seria a próxima trip a me achar. E como me achou! Agora, farei 10 capitais brasileiras em duas semanas. Até a volta!

***

Apesar do aeroporto de Rondonópolis parecer mais um mercado municipal decorado com um saxofonista na frente, ele esconde uma releitura de um quitute brasileiro idolatrado por brasileiros e gringos: a coxinha. No aeroporto de Rondonópolis, você só tem uma opção de lanchonete para matar a fome. Mas o “porém” deste lugar pequeníssimo é a coxinha feita com massa de mandioca. E aqui fica a dica caso um dia passe por lá: compre rápido ao chegar ou sair, eles só fritam uma porção por período (manhã e tarde), ou seja, para as duas únicas idas e voltas do cotidiano deste aeroporto.

– Mas jura quem não tem mais? Só mais uma, vai?!
– Moça, não posso fritar mais agora, porque só vou fazer pro grupo da tarde.

O que importa é que eu comi a iguaria de massa um pouco adocicada. A mulher que atendia me explicou mais ou menos como é a liga e eu acabei inventando um recheio para a tal da coxinha. Confira no post da receita.