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(Foto: Priscila Dal Poggetto)

O Sol batia à janela do apartamento em Copacabana e as convocava para o bloquinho na rua. As últimas a dormir eram as primeiras a acordar. Às sete horas da matina, o ritual de Carnaval começava:

(Foto: Priscila Dal Poggtto)
 

– Banho, saia de tule, maquiagem, adereço no cabelo e batom vermelho.

Eram seis. A última a sair colocava a chave sob o capacho. Desciam correndo as escadas para tomar um café da manhã reforçado em um charmoso bistrô no bairro. Vinha croissant, geleia, bolo, pão francês, queijo branco, manteiga, frutas, sucos etc. Depois, caminhavam até o bloco ou esperavam o táxi, dependendo de onde estava a marchinha mais animada.

Pulavam das nove da manhã até a hora que a noite permitia. De bloquinho em bloquinho, as letras das marchinhas sempre estavam na ponta da língua. Samba no pé e sorriso no rosto eram marca registrada. Quantos se apaixonaram por elas. E por quantos elas se apaixonaram. Às vezes longos minutos, às vezes longos segundos. Era Carnaval, afinal.

Carnaval no Rio de JaneiroO “Allalh-lá-ô” estava bem calor mesmo. A cerveja refrescava o coração. Pulavam conforme o bloco e deixavam para trás tudo que pesava na alma. A cada golpe de confete a vida ficava mais leve. Flutuavam pelo samba carioca. Eram as meninas das saias de tule. Ninguém ousaria desafiar a felicidade delas.

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Ah, o Carnaval. Se no próximo 26 de outubro um DeLorean passar por mim, vou pedir ao Doutor Emmet e a Marty McFly (<3) uma caroninha até o Carnaval de 2014. Queria reviver aqueles incríveis dias que começaram com um Dramin dentro de um ônibus em São Paulo e terminaram com uma tarde ensolarada na muretinha da Urca, no Rio de Janeiro. Mesmo que fosse só para assistir, de longe, aos passos descompassados das meninas das saias de tule.

E se existe um quitute típico do Carnaval carioca, este é o famoso “joelho”, mais conhecido em São Paulo como bauru de padaria. Era o que ajudava a manter o ritmo no bloquinho. E em qualquer boteco tem sempre um te esperando (nem sempre quente, mas tem). Confesso que comi tanto disso, que só um ano depois deu vontade de comprar um. Confira a receita no post anterior.

O Carnaval no Rio de Janeiro e as saias de tule