Tags

, , , , , , , , , ,

Aos poucos fui entendendo aquela comida com pouco sal, pimenta ou qualquer outra especiaria que realçasse seu sabor. A cozinha cubana de simples sabor reflete exatamente uma nação que não pode ser o que almeja, porém dona de um povo de personalidade tão forte que não precisa de tempero. Eles mesmos o são. Divido aqui meu amor pelo povo cubano. Aos poucos cada um trouxe o seu sabor à série de 5 crônicas desta viagem que me fez repensar sobre a vida em si, de complexos assuntos políticos ao amor familiar. Agradeço ainda as incríveis amigas e companheiras de aventura Carol Iervolino e Letícia Iervolino

– Leia também: O Salgado de Cuba e O Azedo de Cuba

106

La Bodeguita del Medio, a meca da boemia

Daquela velha Cuba de Fulgencio Batista, um paraíso tropical entre roletas de cassinos e ardentes noites, sobraram mais do que as desbotadas paredes. A alma das cidades cubanas transborda uma pimenta descaradamente quente, vide pela salsa e pela primavera de 40º C. Bares, baladas e boa cerveja não faltam, assim como turistas bêbados e animados.

Para quem é praticante de uma poética boemia, encostar a vida na “La Bodeguita del Medio” em Havana é como encontrar o Olimpo. Como grafara Ernest Hemingway na parede deste histórico boteco/restaurante, “My mojito in La Bodeguita, My daiquiri in El Floridita”. Sigamos o mestre!

Inaugurada em 1942, o antigo armazém foi transformado em bar e passou a receber diversas celebridades e figuras políticas, como o próprio Fidel Castro e Salvador Allende. Curioso é que há duas mesas que ninguém pode ocupar, porque estão “reservadas” para dois clientes assíduos e já falecidos: o poeta cubano Nicolás Guillén e o cantor estadunidense Nat King Cole (comunista jamais chama os nascidos nos Estados Unidos de “americanos”). As paredes da casa são forradas de assinaturas, inclusive de muitos desses figurões.

La Bodeguita te recebe de braços abertos com mojito e um grupo de músicos tocando salsa. Um senhor que muito já deve ter aprontado por ali cantarola para os turistas com um sorriso enorme no rosto e gingado nos ombros. Abraça todas as menininhas para dançar e convida quem tira foto para entrar nesse lugar divertidíssimo.

Ainda tímidas, sentamos a uma das mesas no último andar do bar e começamos as rodadas de mojito e cerveja. Logo, a gritaria do lado de fora nos puxou. “Vamos?” “Claro que vamos!” Não precisou gastar muito espanhl para descobrir o porquê do amontoado de gente. Nada menos do que uma despedida de solteiro organizada por um grupo de 30 mexicanos. Bom, nem preciso dizer que todos os turistas em Havana Vieja resolveram brindar a tal da despedida – incluindo as três brasileiras.

Considerando a alegria latina, o mojito, a cerveja, as baforadas de charuto e as aulas de samba ao som de salsa (sim, já estávamos ensinando nosso peculiar gingado), aquilo já tinha virado um carnaval fora de época para deixar qualquer bloco de Salvador com inveja. O auge foi cantar com a banda Michel Teló. Detalhe, “Ai se eu te pego” é a típica música brasileira que mexicanos, canadenses, noruegueses e cubanos sabem muito bem cantar.

1355

El Floridita, música cubana e o melhor daiquiri do mundo

Assim como Hemingway, a  “turistada” não parou. Da La Bodeguita del Medio todos peregrinaram para o El Floridita, em busca do tal daiquiri. La fiesta continuou até o gerente do local dar um chega pra lá em todo mundo: “Aqui é um lugar para apreciar ‘la música’, vocês estão atrapalhando”. Restou-nos tomar a saidera em outro bar, uma piña colada em algum lugar de Havana Vieja (Hemingway, fica a dica).

(Fotos: Letícia Iervolino, Carol Iervolino e Priscila Dal Poggetto)

***

Não tem nem graça se eu deixar de passar aqui a receita do mojito cubano, mas vou sugerir como acompanhamento um bolinho de milho bem típico. Em Cuba, tudo pode ser acompanhado por uma boa fritura. Em qualquer cardápio existe grande  variedade de bolinhos, é impossível fugir. Confira aqui as receitas.

O último CUC por um daiquiri

O último CUC por um daiquiri no El Floridita