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img_9832Imersa no frenesi da batida do som, combinada às luzes do grandioso palco principal da Tomorrowland, foi por David Guetta que soube da morte de Prince. A cor púrpura iluminou aquela calorosa noite a 30°C. Findara abril. Guetta colocou “Kiss” para tocar (sim, bebê: you don’t have to be rich to be my girl/ You don’t have to be cool to rule my world/ Ain’t no particular sign I’m compatible with/ I just want your extra time and your kiss). Inusitadamente, a “classiqueira” de Prince embalou o início de uma das viagens mais inusitadas que já fiz. Uma mistura de lembranças dos meus vinte e poucos anos de outrora com a bem-vinda maturidade dos 30-e-lá-vai.

Quando a morte de Prince beijou o festival ainda era o primeiro dia. Tudo era novidade, portanto, os óculos escuros também eram um escudo para espreitar a porra-louquice da tal disneylândia pseudo-hypster. Em território desconhecido, mal sabia onde estavam os banheiros, onde ficava cada palco dos seis –  e qual seria o meu preferido -, qual era o bar com a cerveja mais gelada no fim de tarde… Também não tinha a malícia de pedir com jeitinho a tampa da garrafa de água ao bartender. Vou explicar. A organização orienta o staff a jogar a tampinha fora, assim você consome tudo mais rápido, pois, na Terra do Amanhã, uma garrafa de água custa R$ 6,25. Agora, faça as contas. A moeda local, chamada de pearls (pérolas, em inglês), respeita o seguinte câmbio: 1 pérola equivale a R$ 6,25. Logo no caixa batizamos o dinheirinho de “cururú”, só não me pergunte o por quê.

O que posso dizer é que a  Tomorrowland me recebeu com um dos por do sois mais bonitos que tenho na lembrança e em uma vibe que misturou pessoas queridas ao redor, música de altíssima qualidade e a confortável brisa da vodka com energético – que custava uns 4 cururus. Ah, claro, o auge desse momento foi no palco House of the Books (o tal do “palco do livro”, como apelidamos depois). Sem dúvida, o meu preferido. Por lá passaram nomes como KhoMha, Mark Sherry, L_cio e Gui Boratto. Entardecer que se repetiu nos outros dois dias naquele palco.

Mas aí, os óculos já escondiam emoção púrpura da minha íris. Mais uma vez o palco principal trouxe Prince. Desta vez, foi pelo DJ holandês Afrojack, que pegou o microfone e desabafou: “ele foi o cara que me fez querer sair para dançar”. E assim tocou Would Die For You”, “mega hit” (olha aí Alana) do disco “Purple Rain”.

Frenesi, euforia, alegria, histeria, diversão, escape, seja lá o estado de espírito que te domina, seja lá o componente químico que você opte – taurina, cafeína, álcool, LSD, “meia-errada”… – manter-se na viagem à Terra do Amanhã não é tarefa fácil. Mesmo no meio de uma multidão, mesmo ao lado de amigos, mesmo com tantos “likes” em selfies e visualizações de snaps, as emoções de você com você mesmo se trombam, entre fogos de artifício, luzes intermitentes e jatos de fumaça.

Curtir a vibe da Tomorrowland foi sim pular ininterruptamente e sentir cada batida daquele som, mas sem perder o compasso, como lamentavelmente aconteceu com Prince. Entre pulos, bolinhas de sabão e toda a poeira que subiu da fina terra seca que se desprendia do chão naquela noite, senti quando a chuva púrpura despencou sobre meus ombros.  A dupla Dimitri Vegas & Like Mike disparou Purple Rain e, assim, a última homenagem a Prince. Cumprindo a promessa àquele com quem vivi a letra dessa música uma vez, sorri. Sorri, mas para mim. Sorri sob a chuva púrpura.

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Purple Rain

I never meant to cause you any sorrow
I never meant to cause you any pain
I only wanted one time to see you laughing
I only want to see you laughing in the purple rain
purple rain, purple rain
I only want to see you bathing in the purple rain

I never wanted to be your weekend lover
I only wanted to be some kind of friend
baby I could never steal you from another
it’s such a shame our friendship had to end
purple rain, purple rain
I only want to see you underneath the purple rain
honey, I know, I know, I know times are changing
it’s time we all reach out for something new, that means you too
you say you want a leader
but you can’t seem to make up your mind
I think you better close it
and let me guide you into the purple rain
purple rain, purple rain
I only want to see you, only want to see you
in the purple rain

***

Após três dias intensos de Tomorrowland, comer bem foi um grande desafio à preguiça já esperada. A boa e velha estratégia do macarrão rendeu duas opções de molhos tradicionais de baladeiros: almondegas do hambúrguer da véspera e atum enlatado. Resolvi, então, caprichar na versão light, a de atum, com tomate cereja e ervas frescas. A escolha da massa também foi fundamental, optei por uma marca italiana, grano duro, e o formato “fusilli gigante” – que meu amigo Gustavo adorou e não podia faltar aqui como dica em sua homenagem. A receita do Fusilli Gigante com Atum, Tomatinho e Ervas Frescas está no outro post.