Tags

, , , , , , , , ,

NY estátua da liberdadeConheci Nova York com um tal cara da “geração Coca-Cola”, mas que me ensinou todas as notas do bom e velho rock’n roll e o quanto é maravilhoso o hambúrguer dos yankees ainda quando a primeira loja do McDonald’s abriu em São Paulo. Tudo isso nos saudosos anos 1980, ok, porque para a gente NY só chegou mesmo em 11 de setembro de 2009. As torres gêmeas já haviam sido abatidas e o tal One World Trade Center era ainda apenas um tenebroso buraco em obras, carregado ainda de profunda tristeza. Mas vamos deixar esta história de lado, porque o garoto que me conduzia por Manhattan é a antítese de qualquer ato idiota que um ser humano é capaz de fazer. Digo isto pelo simples fato de que o cara acorda sorrindo every single day. Se não bastasse, cumprimenta qualquer um que cruze seu caminho com tamanha simpatia, que não há quem resista ao brilho dos seus lindos olhos azuis e de seu sorriso jovial, mascando Hubba Bubba. “Eu gosto de todo mundo, sabe”, sempre diz. Nunca ouvi tanta verdade em um frase tão simples e curta.

Este boa pinta do meu conto nova-iorquino hoje tem 39 anos, mas estava com 32 na época – aliás, eu tinha 26. Sempre se encantou com o cotidiano dos Estados Unidos, com suas bugigangas, vídeo-games, jogos da NBA e cheddar em spray sobre a batata Pringles sabor barbecue. Ele é um filho da cultura pop, como naturalmente é qualquer um nascido em 1977, então, fui muito bem guiada por cada centímetro das ruas que desenham Times Square, Central Park, Empire State Building, Flatiron Building, Lincoln Center, Wall Street e Carnegie Hall. Aquela cidade que a todos engole, abriu passagem para ele e eu não tinha a menor dúvida de que veria exatamente isso. Até Ferris Bueller acenou para a gente em respeito. Woody Allen, então, tratou de lustrar o clarinete.

Nessas nossas longas caminhadas, passávamos a maior parte do tempo cantando os “mega hits” dos anos 80 e 90, listando o que iríamos comer – entre os itens, hot dog de carrinho de rua que, infelizmente, não demos sorte -, entrando e saindo de lojas com as exclamações “nossa, olha isso!” ou “meu, olha o preço disso?!”. Também vi o rapaz vibrar com as relíquias do Planet Hollywood, com o perfeccionismo do museu de cera Madame Tussauds. Vi ainda passar meia hora apreciando as obras do Andy Warhol no MOMA (e torcendo aquele perfeito nariz arrebitado para as obras de Frida Kahlo e companhia). Nem preciso dizer que só o convenci a assistir a um show na Broadway porque “Mamma Mia” só tinha música do Abba no repertório.

Nessa vida de caminhadas, yellow cabs e metrô, com almoços entre Wendy’s, Dominos, Burger King e Bubba Gump, teve sim algo a tirar o fôlego do nosso herói. E se você acha que foi ver de perto a Estátua da Liberdade, errou muito (ela tem altura para ser a sua filha pré-adolescente, inclusive).Tampouco foi achar o sobrenome da nossa família na lista do Museu da Imigração. O que mais me marcou em 7 dias ao lado desse garoto – que costuma fazer bochecho com a Cherry Coke a cada gole – aconteceu no Museu de História Natural.

2009-09-15 - Rockefeller, St. Patrick, St. Baptholomew, Central Park. Lincoln Center, Metropolitan (82)Já tínhamos visto de tudo e eu estava bem entediada, vou dizer a verdade. Nem as cabeças encolhidas dos índios inimigos de uma tribo amazônica animavam a minha curiosidade. Até que chegamos a um salão que dava para uma porta gigante. Entramos. Instantaneamente, abri a boca para aquela imensidão que se impunha diante de mim. Procurei, então, os olhos azuis dele, do garoto Coca-Cola, o meu irmão mais velho. O encantamento dele era digno de filme, era como se Steven Spielberg tivesse passado por ali e dirigido a cena…

Aquela era a sala dos dinossauros e estávamos diante do esqueleto completo de um Tiranossauro Rex, ao lado de um Brontossauro. Diante da mistura de Os Goonies, com ET e Jurassic Park, coube ao meu papel de irmã mais nova ameaçar a gritar para, na sequência, ele, como o mandachuva da expedição, silenciar a minha boca com uma das mãos. Aventura inesquecível, que terminou do outro lado da rua, com um belo sorvete Ben & Jerry.

***

Ter de comer logo cedo, naquele “brunch” de turista, bagel duro com bacon frio seria a nossa triste realidade no hotel que estávamos hospedados, se para a nossa sorte não houvesse um café brasileiro no mesmo prédio. Era ali que comíamos pão de queijo acompanhado com café preto “de verdade” toda santa manhã. Mas a receita que passo aqui, são para fazer e acompanhar bagels fresquinhos e de verdade, como gosta o “Blue Eyes” desta história em “New York, New York”- que não é o Sinatra, mas que sabe viver tão bem quanto. Claro, que os bagels servem de acompanhamento a tenras meat balls (bolinhas de carne) mergulhadas em cheddar. I “coração” NY.