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AS BAILARINAS DE LIMA

Lica, como você está? Tem aproveitado os seus dias? Fez toda a lição de casa, comeu tudo do prato? Se não fez, fica tranquila, eu não conto para sua mãe. Tias podem guardar esse tipo de segredo e muitos outros. Por falar em histórias guardadas, vou contar um pouquinho sobre a minha última noite em Lima, quando visitei o chamado Parque das Águas. Já estava ansiosa para ir a Cusco, meu próximo destino, mas sabia que faltava ainda algum cantinho de Lima para explorar.

Quem nos falou sobre esse parque foi uma simpática vendedora de uma loja de joias, que ficava perto do hotel. O que despertou nossa curiosidade foi o encantado com o qual ela descrevia o tal baile de águas coloridas, enquanto eu implorava por um desconto no colar que comprava. Era uma peça bonita em prata, que trazia em um mosaico de pedras o colorido encontro do sol e da lua. Algo muito importante para os incas, simbolicamente.

Saí da loja com o colar, um bom desconto nele e uma bela história para conferir, o tal Parque das Águas. O que falo para você sobre ele, Lica, é que realmente é um sonho de princesa espetado no meio da cidade. Ele é todo construído por fontes de água, que brincam o tempo todo de subir, descer e rodar, exibindo-se entre luzes de tudo quanto é cor. Águas encantadas, que escolheram ser bailarinas.

A maior fonte forma uma enorme parede d’água. Todos ficam hipnotizados em seu show. Ela literalmente dança músicas típicas, enquanto são projetadas imagens sobre o folclore peruano em seu corpo. Como fazia bastante frio e ventava muito, a cada sopro de ar, os dedos dessas águas dançarinas se estendiam pelo ar e me molhavam todo o rosto.

Foi gelado, mas lindo. A caminhada fria no Parque das Águas trouxe um pouco de tranquilidade à minha mente já ansiosa pela partida a Cusco. O balé das fontes me prendeu àquele presente e eu pude também esquecer um pouco da minha lição de matemática que ficou em casa. Equações de vida um pouco mais complexas do que a tabuada do “7”, mas são o que tornam a gente, digamos, “bailarinas”.

Às vezes Lica, nem sempre conseguimos fazer nossas tarefas de uma vez para ficarmos tranquilos o resto do dia. Também não é sempre que podemos comer o nosso prato preferido. Porém, enquanto não chega o dia quando passamos de ano e comemoramos no nosso restaurante favorito, há sempre os momentos especiais de meio de caminho, que trazem um pouco de magia a princesas que sonham como nós. Não dá para ter tudo, mas dá para ser interessante.

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Pouco antes de embarcar rumo ao Peru, minha sobrinha-afilhada por escolha do coração, Lica (Olivia), perguntou à mãe dela o que exatamente a “tia Pri” iria fazer no Peru. Essa garotinha de 9 anos – e de voz tão doce quanto sua imaginação – lançou, assim, uma ideia na cabeça de sua mãe: “Pri, por que você não escreve pra gente todo dia contando os encantos desse país?!”. Achei a ideia incrível. Nunca tinha escrito relatos de viagem sob um olhar infanto-juvenil. Assim, não só contei para a Lica dia por dia o que foi o Peru, como também passei a compartilhar com Sabrina, sua linda irmã de 14 anos, cada detalhe dessa história de 8 dias. Então, veio a ideia de publicar aqui, no Volto Pro Almoço, um diário de viagem especial. Linhas dedicadas às irmãs Lica e Sasá, aos amáveis irmãos Gabriel e Nina (cujo sonho do pai é retornar a Machu Picchu com os dois) e, claro, ao meu serelepe sobrinho João Pedro, o “Jotinha” (que um dia entenderá quem foi Indiana Jones). Todos eles representam aquelas crianças inteligentes, curiosas e cheias de vida que a gente fez questão de carregar para qualquer aventura pelo mundo.