Tags

, , , ,

DIA 6: O VALE SAGRADO DOS INCAS

Meninas lindas do meu ❤,

atravessei o chamado Vale Sagrado dos Incas. Ele reúne diversas cidades, todas elas voltadas para Cusco, que era “a capital Inca” ou “o umbigo do mundo” (esse é o significado da palavra). Cada cidade ao longo desse vale tinha o seu papel. Uma delas era laboratório de agronomia, outra templo sagrado, outra fortaleza para proteger Machu Picchu, outra produzia sal (dinheiro nessa época, o chamado ouro branco) e por aí vai. Elas são diversas, mas deu para conhecer a maior parte: Moray, Písac, Maras, Chinchero, Urubamba e Ollantaytambo.

Porém este não é um vale qualquer e vou explicar o motivo de essas cidades estarem aí até hoje, apesar de somente Ollantaytambo ainda ser habitada. Elas beiram o rio Rio Vilacanota, considerado sagrado, pois era o elo entre o céu e a terra em noites mágicas.

Há todo um caminho para isso. Sabem o que é a Via Láctea? A Via Láctea é uma nuvem esbranquiçada que atravessa o espaço e engloba muitas constelações. Ela tem esse nome por parecer um rastro de leite. É formada por milhões de estrelas e nuvens escuras de poeira e gás que envolve todo o planeta Terra. Em noites de céu limpo é fácil enxergá-la. E era o que os incas viam durante o Solstício de Inverno, quando acontece a noite mais longa do ano.

Para os Incas, a Via Láctea se chamava Mayu ou “rio celestial” e servia como eixo de orientação para pesquisa, plantações e rituais. Os sacerdotes Incas realizavam durante o Solstício de Inverno uma cerimônia seguindo Mayu: partiam de Cusco e caminhavam até a nascente do Rio Vilacanota, onde, segundo a mitologia Inca, nascia o Sol. Depois, seguiam todo o curso desse rio.

Segundo eles, era durante esse ritual que o rio celestial (Mayu) se conectava com o rio terrestre (Vilcanota). Para eles, tudo que fosse sagrado sobre a Terra possuía sempre um reflexo no céu. Já rezaram o “Pai Nosso?. Nele também diz “assim na Terra como no Céu”, certo? Na verdade, todas as crenças apontam, no fim, para o mesmo sentido filosófico, de que o sagrado somos nós (nossa consciência) em harmonia com a natureza e o cosmos. Isso é o divino.

Assim, o Vale Sagrado dos Incas é também um passeio pelo nosso rio interior. É um sentimento, uma maneira de se situar no mundo, uma forma de compreender a vida e entrar em harmonia com os três rios.

Beijo enorme no coração de vocês.

#1 Diário sobre o Peru – Relatos para a Pequena Lica
#2 Diário sobre o Peru – Relatos para a Pequena Lica
#3 Diário sobre o Peru – Relatos para a Pequena Lica
#4 Diário sobre o Peru – Relatos para a Pequena Lica
#5 Diário sobre o Peru – Relatos para a Pequena Lica

***
Pouco antes de embarcar rumo ao Peru, minha sobrinha-afilhada por escolha do coração, Lica (Olivia), perguntou à mãe dela o que exatamente a “tia Pri” iria fazer no Peru. Essa garotinha de 9 anos – e de voz tão doce quanto sua imaginação – lançou, assim, uma ideia na cabeça de sua mãe: “Pri, por que você não escreve pra gente todo dia contando os encantos desse país?!”. Achei a ideia incrível. Nunca tinha escrito relatos de viagem sob um olhar infanto-juvenil. Assim, não só contei para a Lica dia por dia o que foi o Peru, como também passei a compartilhar com Sabrina, sua linda irmã de 14 anos, cada detalhe dessa história de 8 dias. Então, veio a ideia de publicar aqui, no Volto Pro Almoço, um diário de viagem especial. Linhas dedicadas às irmãs Lica e Sasá, aos amáveis irmãos Gabriel e Nina (cujo sonho do pai é retornar a Machu Picchu com os dois) e, claro, ao meu serelepe sobrinho João Pedro, o “Jotinha” (que um dia entenderá quem foi Indiana Jones). Todos eles representam aquelas crianças inteligentes, curiosas e cheias de vida que a gente fez questão de carregar para qualquer aventura pelo mundo.